segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Cinco anos

Para muitas pessoas (e principalmente as "pessoinhas") o dia 12 de outubro é lembrado como o dia das crianças, dia de ganhar presentes, fazer passeios diferentes, brincar, celebrar a infância... Para religiosos hoje é dia da padroeira do nosso país, dia de Nossa Senhora Aparecida... Para outros hoje é apenas mais um feriado, dia de viajar, dormir até tarde, nada de pensar no trabalho... Já para mim, desde o ano de 2004, o dia de hoje sempre me dá um gosto amargo na boca, a sensação da perda e da passagem de um ciclo, o fechamento de mais 365 dias desde o falecimento da minha mãe. É estranho pensar que há exatos cinco anos eu estava com o coração em pedaços, com os olhos vermelhos de tanto chorar e com muito medo do meu futuro.

Desde muito cedo convivi com perdas... nasci sem a presença do meu pai (sou fruto de uma produção independente como já disse em um post anterior), não tive irmãos, minha avó materna morreu 10 anos antes do meu nascimento, meu avô era distante e bem doente e morreu quando eu tinha 14 anos, aos 16 uma querida tia minha não resistiu um aneurisma cerebral e quando cheguei aos 25 perdi minha mãe... que significava muito e praticamente tudo para mim. Fui criada de forma superprotetora por ela (que já havia perdido um filho antes e eu sei que me sufocava por medo de me perder também) e nas suas últimas semanas de vida fui vendo aquela mulher forte e independente ir enfraquecendo, mostrando uma desorientação sem sentido que mais tarde foi descoberto que era o derrame já se pronunciando... mas não percebemos os sinais... e ela foi para o hospital no dia 7 de outubro (no dia 5 havia sido seu último aniversário aqui... sem comemoração e sem festa... foi assim que ela entrou nos seus 59 anos de vida)... no dia 8 o derrame foi impiedoso e os próximos dias foram de um coma profundo do qual ela não acordou mais. Dia 12 pareceu como se tivesse sido escolhido... ela era devota de Nossa Senhora Aparecida... e assim foi nossa despedida... silenciosa...

Eu achei forças de dentro do meu ser... e assim fui encarando um dia após o outro... Fui virando adulta... na marra e sem opções de dizer que eu não estava pronta... E acho que me saí bem... Quando olho para estes últimos cinco anos que passaram sinto por ela não ter podido acompanhar e vibrar com as minhas conquistas, sinto por ela não estar presente com seu abraço gostoso e seu colo quentinho nos momentos de desilução e tristeza, sinto por ela não ter conhecido pessoas especiais que entraram e estão hoje na minha vida, sinto por não ter seu carinho de mãe, sinto por não ouvir mais as palavras "minha filha"... sinto não poder ouvir "eu te amo"... Mas aceito que de uma forma ou de outra teve que ser assim... não podemos mudar o passado... Mas sei que cabe a mim trilhar meu futuro fazendo o melhor que eu posso a cada dia que passa... e tenho a certeza que ela sentirá muito orgulho de mim aonde quer que ela esteja!

9 comentários:

Rosangela disse...

Amiga, estou com um nó na garganta...
Q mulher forte vc é, por isso te admiro tanto

***GrAzI disse...

Amiga... vc é uma dessas pessoas especiais que eu citei aqui... minha mãe teria gostado muito de ter te conhecido!
Beijoka!!

Carol Pimentel disse...

Grazi, apesar de não te conhecer pessoalmente, eu fiquei muito emocionada com o seu texto com uma dorzinha no estomago. Sinto muito pela sua imensa perda mas ao mesmo tempo fico bem feliz em saber das suas vitórias e amadurecimento.
Bjocas
Carol

***GrAzI disse...

Valeu Carol!!! :)
Guardarei suas palavras carinhosas num cantinho bem especial do meu coração... fui muito melosa??? rsrsssr... Deve ser a TPM...
Beijokas!
Grazi

Ieda disse...

Grazi,
Eu nem consigo imaginar a dor que é perder a mãe...Ah ! Se as pessoas que a gente ama pudessem
ser eternas...Bom, de um jeito ou de outro, elas são !
Fique em paz!

***GrAzI disse...

Ieda.. tbém acho que somos eternos... Obrigada pelo carinho!
Beijossss!

Psicologia para todos disse...

Ai amiga....nada nesse mundo é por acaso, sei que é uma fase clichê, mas nossas histórias de alguma maneira sempre estiveram ligadas e as perdas tão presentes...parecidas na dor.
Tudo que vc escreveu sobre a sua mãe, é exatamente a maneira como me sinto em relação a morte da minha mãe, que tb se foi pouco tempo depois de completar 59 anos e nunca mais voltou de um coma...mto parecido tudo...
Em dezembro, a minha perda fará 3 anos...acho que estou trilhando caminhos que vc já trilhou...e faço minhas todas as suas palavras, é assim, bem assim, que eu me sinto tb, em relação a tudo....
Adoro vc amiga!
Si

***GrAzI disse...

Si querida... tbém te adoro!! Lembrei de vc qnd estava escrevendo... Nossas dores e mais importante o nosso crescimento se cruzam né amiga?? E assim vamos amadurecendo!!
Beijão

Maria Tereza disse...

oii grazi!!
aiai amiga que aperto no coração e que vontade de chorar que dá... desde aquele dia que li junto com vc queria ter postado um comentário aqui...muito lindo a forma que escreveu... eh temos que seguir em frente e seja a forma que quiser pensar acredito tbm que de alguma forma Ela sempre estará orgulhosa das suas conquistas!! aff e que falta faz ter o colinho delas para deitar... da aquela impressão q os problemas seriam mais facilmente solucionados... mas podemos seguir!!
Bjinhos amiga e sempre conte comigo!!
Fica com Deus!!